Ação Extramuros do Educativo da Pinacoteca Estado de São Paulo

Ação educativa extramuros da Pinacoteca do Estado de São Paulo

Com o intuito de aproximar a Pinacoteca daqueles que transitam diariamente em seu
entorno, mas que por diferentes razões não se apropriam dela como espaço público
de lazer e conhecimento, em 2008, o Museu, com o apoio do Santander, estabeleceu
parcerias com a Casa de Oração do Povo da Rua e a Casa Porto Seguro, duas casas
de convivência para pessoas em situação de rua do centro de São Paulo, para a
realização de uma ação educativa extramuros junto a seus frequentadores
interessados.
Desde então, essa ação se estruturou a partir de oficinas de artes realizadas
semanalmente nas casas de convivência e de visitas  educativas regulares às
exposições da Pinacoteca, conjugando prática e reflexão sobre a arte.
O trabalho se organizou em diferentes módulos, contemplando desde o desenho em
seu significado mais amplo – incluindo recortes, colagens, registros de observação, de
memória e de invenção – até técnicas gráficas como a monotipia, tipografia, serigrafia
e xilogravura, com ênfase nesta última. Ao mesmo tempo, também foram realizados
encontros para relacionar a criação de imagens com  a criação de textos,
proporcionando um diálogo entre ambos.

A ação educativa extramuros faz parte do Programa de Inclusão Sociocultural (PISC)
do Núcleo de Ação Educativa da Pinacoteca, que tem  por objetivo tornar o museu
cada vez mais acessível a diferentes públicos. O programa visa promover o acesso
qualificado de grupos em situação de vulnerabilidade social, com pouco ou nenhum
contato com instituições oficiais da cultura, aos bens culturais presentes na
Pinacoteca. Entre suas ações, destacam-se as parcerias com organizações sociais
para a realização de visitas educativas continuadas junto aos grupos, bem como o
desenvolvimento de cursos de formação para educadores sociais e a produção de
materiais de apoio à sua prática.
Ao longo de seus três anos de existência, a ação educativa extramuros realizou
aproximadamente 130 encontros com cada grupo, entre oficinas de arte e visitas
educativas à Pinacoteca, envolvendo cerca de 50 participantes. Como toda ação
educativa, esta também trabalha com questões que ultrapassam os resultados
materiais elaborados durante as oficinas, contemplando, ainda, aspectos relativos à
sociabilidade, comunicação, identidade, criação de  vínculos, autopercepção e
autoafirmação.
Como desdobramento das distintas etapas do projeto, alguns resultados materiais
foram gerados, como a exposição Convivência –  Ação educativa extramuros da
Pinacoteca do Estado de São Paulo, em cartaz entre março e maio de 2009 no
Museu, na qual foi apresentado o processo desenvolvido com os dois grupos, suas
etapas e algumas das produções dos participantes. Nessa ocasião, foram expostos
cerca de 130 trabalhos das diferentes técnicas artísticas exploradas ao longo do ano,
com maior atenção à xilogravura. Além disso, foram montadas também duas mostras
simultâneas, em versão reduzida, nas organizações de origem dos participantes.
Como memória das atividades e da própria exposição, elaborou-se um pequeno
catálogo que reproduz uma seleção das gravuras expostas e dos depoimentos dos
participantes. Em 2010, uma versão reduzida dessa mostra foi exposta no Museu
Casa de Portinari, em Brodowski, e no Museu Histórico e Pedagógico Índia Vanuíre,
em Tupã. Ambas exposições, em cartaz durante um mês cada, contaram ainda com
visitas e atividades educativas.
Também em 2010, elaboramos a publicação Percorrer e registrar – reflexões sobre
a  ação  educativa extramuros da Pinacoteca do Estado de São Paulo composta
por textos que refletem e avaliam os dois primeiros anos do projeto, elaborados pelos
profissionais da Pinacoteca e das casas de convivência parceiras. A publicação
apresenta também imagens das atividades e reproduções de trabalhos selecionados
dos participantes, acrescidos de seus comentários sobre a participação no projeto.
Como forma de concluir o terceiro ano da ação, no início de 2011 elaboramos dois
álbuns de gravura: o primeiro, intitulado  Invento, com 56 estampas originais
encadernadas e um segundo, impresso em fevereiro de 2011, com xilogravuras
originais avulsas, e cuja impressão é o resultado de uma parceria com o Ateliê de
Gravura do Museu Lasar Segall.
Invento apresenta uma seleção de estampas de xilogravura feitas pelos participantes
do projeto em 2010, impressa pela Oficina Tipográfica São Paulo numa máquina
tipográfica de platina Minerva, em um processo manual de impressão, e
posteriormente encadernada. Junto às imagens há textos compostos e impressos em
tipografia que promovem um diálogo com as mesmas e que foram elaborados pelos
participantes a partir das proposições das oficinas de criação de texto. Em alguns
casos, os textos deram origem às imagens, ou ao contrário, as imagens suscitaram a
elaboração dos textos, mas sempre de forma a relacionar-se e enriquecer-se
mutuamente.
Em 2011, a ação educativa extramuros da Pinacoteca  continua, promovendo novos
aprendizados e outras invenções.
Pinacoteca do Estado de São Paulo

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